I have been going to Jardim de Gramacho during a year and a half. What was in the beginning a professional assignment has become a voluntary choice, the same choice I did in 2011, after the Haiti earthquake. We have this reflex of trying to offer solutions, and I learned to fight this. I now prefer observing, soaking up what I see and putting the daily lives of ordinary people into perspective. The camera then confers dignity; it lets them express their struggle and pride. At the end of the day, they are as much the director as I am.

An adult point of view will be mixed with the look of a handful of children who play at being photographers, as they explore and play out their own Jardim de Gramacho. Give them a camera, teach them how to use it, follow them as they roam their community and let them reveal their reality, their tenderness, and their hopes through photography. Then put together a touring exhibition of their images in order to valorize them through their artistic creation.

In a country such as Brazil, which is wealthy, I ask myself this question: how can an entire community be left to itself this way? One year after closing the Jardim de Gramacho landfill, the community has been left without any viable solutions. Little training has been offered to help former “Catadores” (pickers) find a decent job, and hardly anyone has been compensated for losing their job, although such compensation was promised…

What is worse is that where the legal landfill was closed in the run-into Rio +20, bin lorries carry on dumping rubbish daily in the community, in illegal fly dumping sites and right in front of their houses… a state of affair that nonetheless means a job for some.

As of today, the Brazilin government has decided to close down all illegal open air landfills in the country in 2014. What will happen to this already impoverished community?

A Jardim de Gramacho Forum has been set up, a gathering of various associations, but the majority of people turns to their local churches for food aid and moral support, perhaps hope.

Many families, often quite large, are now broken, the children being sent away to other family members for lack of space and resources at home. Houses have no running water or sanitation. Drinking water is available only 4 days per week in the main street. Families the store water in large plastic tanks in front of the house, often in direct sunlight. The water used for washing clothes and doing dishes is drawn straight from the ground, beneath the accumulated garbage, and is totally unfit for consumption.

On the world cup's eve, two years from the olympic games in which millions are invested in equipment some of them being ephemeral or linked to tourism, thirty minutes from the Ipanema and Copacabana beaches is community of Jardim de Gramacho, people who live among detritus and made a living from it .

Did we shut off their hopes by closing the landfill? It's them I want to talk about, they are the one who want to express themselves to make us understand that the landfill land can be a garden, an unhealthy garden but a garden from which some future might come to the surface.

Yours,

Laurence Guenoun

 


Faz alguns meses que vou no Jardim de Gramacho como voluntária, para tirar fotos como ja fiz no Haiti em 2011, depois do terremoto.
Aprendi que lutar contra o reflexo de propor soluções é árduo. Prefiro observar, me empregnar do que vejo e colocar em perspectiva o cotidiano das pessoas. A câmera se torna para eles um instrumento de dignidade, onde eles podem expressar suas lutas e suas vitórias.  Finalmente eles dirigem tanto quanto eu.

A voz dos adultos, se acrescentará ao olhar de meia dúzia de crianças, que tiraram fotos da dura realidade de seu Gramacho. Colocar um aparelho nas mãos deles, e ensiná-los a tirar fotos, segui-los na sua comunidade e deixá-los revelar sua realidade, seu carinho, suas esperanças através da lente. Afim de produzir em seguida uma exposição de suas imagens, afim de valorizá-los através de suas criações.

Num país tal qual o Brasil, com todas suas riquezas, eu me faço essa pergunta: como podemos livrar uma comunidade inteira dela mesma? Um ano após o fechamento do aterro sanitário deJardimGramacho, nenhuma solução viável foi executada. Nenhum desenvolvimento a nível de transporte para facilitar o acesso a cidade mais próxima; nenhuma formação foi proposta aos antigos catadores, para que eles possam achar um trabalho descente; pouquíssimos custos adicionais prometidos foram pagos por recompensa da perda de seus empregos.

Pior, onde o aterro sanitário foi fechado nas vésperas do Rio +20, caminhões descarregam diariamente lixo na comunidade,  de forma clandestina na frente de habitações... No entanto, permetindo a uma pequena parte de catadores de trabalhar.

Hoje, em 2014, o governo brasileiro decidiu fechar todos os aterros sanitários ilegais e a céu aberto, do país. O que acontecerá com as comunidades que não tem muitas fontes de renda?

Existe um fórum do Jardim Gramacho, que reagrupa algumas associações, porém a grande parte dos moradores procuram nas igrejas, ajuda alimentar e moral, quem sabe até um pouco de esperança.

Famílias, na sua maioria numerosas, estraçalhadas, enviam seus filhos a terceiros, pela falta de espaço no lar, falta de recursos. Muitas vezes, as casas não possuem água potável, nem sanitários. Quatro dias por semana, a água é liberada na rua principal. As famílias estocam como podem,  em grandes cisternas de plástico em frente de suas casas, expostas ao sol. Água que servira para as necessidades cotidianas como lavar as roupas e louça, são tiradas de poços no solo, de baixo de montanhas de lixo, totalmente imprópria para consumo.

Na véspera da copa do mundo, há dois anos dos jogos olímpicos, onde milhões foram investidos para infraestruturas,muitas vezes efêmeras ou lugares ligados ao turismo, a trinta minutos das praias de Ipanema e Copacabana, a comunidade de Jardim Gramacho vivia e continua vivendo em um depósito de lixo. Após o encerramento das atividades do aterro sanitário, a esperança acabou? É disso que quero falar, é isso que eles querem expressar. No intuito de nos fazer compreender que o lixão pode ser um jardim, um jardim insalubre, um jardimde onde pode germinar um futuro.

Obrigada.

Laurence Guenoun


Je me suis rendue à Jardim Gramacho durant une année et demie. Une demande professionnelle initiale devenue un choix volontaire comme je l’avais fait à Haïti en 2011 après le tremblement de terre. J’y ai appris que lutter contre le réflexe de proposer des solutions est ardu. Je préfère observer, m’imprégner de ce que je vois et mettre en perspective le quotidien des gens. La camera devient pour eux un instrument de leur dignité, ils expriment leur combat et leur fierté. Finalement, ils réalisent autant que moi.

A la voix des adultes, s’ajoutera le regard d’une poignée d’enfants qui photographieront, comme on joue sérieusement, leur Gramacho. Mettre dans leur main un appareil photo, leur apprendre à l’utiliser, les suivre dans leur communauté et les laisser dévoiler leur réalité, leur tendresse, leurs espoirs à travers l’objectif. Réaliser ensuite une exposition itinérante de leurs images afin de les valoriser à travers leurs créations.

Dans un pays tel que le Brésil, avec toutes ses richesses, je me pose cette question : comment peut-on laisser une communauté entière livrée à elle-même? Un an après avoir fermé la décharge de Jardim de Gramacho, aucune solution viable n’a été mise en place. Pas de renforcement des moyens de transports pour accéder à la ville la plus proche, pas de formations proposées aux anciens « catadores » afin de retrouver un travail décent, très peu de dédommagements promis versés en compensation des pertes d’emplois… 

Pire, là où la décharge « légale » a été fermée à la veille du Rio +20, des camions poubelles continuent de déposer quotidiennement des kilos de détritus (ménagers et gravas) dans la communauté, sur des décharges clandestines et devant leurs maisons… Apportant malgré tout du travail à un certain nombre. 

A ce jour, le gouvernement Brésilien a décidé de fermer toutes les décharges illégales et à ciel ouvert du pays au cours de l’année 2014. Que va-t-il advenir de cette communauté déjà sans ressources.

S’il existe le Forum de Jardim de Gramacho, regroupant quelques associations, la plus grande partie des habitants se tourne vers leurs églises pour trouver de l’aide alimentaire et un soutien moral, peut-être un espoir.

Des familles, souvent nombreuses, sont éclatées, les enfants envoyés chez des tiers, faute de place au sein du foyer, faute de ressources. Les maisons n’ont ni eau courante ni sanitaires. De l’eau « potable » est disponible 4 jours par semaine dans la rue principale. Les familles la stockent dans de grandes cuves de plastique devant chez eux, souvent en plein soleil. L’eau servant à laver les vêtements et à faire la vaisselle est puisée à même le sol, sous les amoncèlements d’ordures, totalement impropre à la consommation.

A la veille de la coupe du monde, à deux ans des jeux olympiques, où des millions sont investis pour des infrastructures parfois éphémères ou liées au tourisme, à 30 mn des plages d’Ipanema et Copacabana, la communauté de Jardim de Gramacho vit dans les détritus et vivaient des détritus. En fermant la décharge, a-t-on clos leurs espoirs? C’est d’eux dont je veux parler, c’est eux qui veulent s’exprimer, afin de nous faire comprendre que la décharge peut être un jardin, un jardin insalubre, mais un jardin d’où peut germer un avenir…

Merci,

Laurence Guenoun